ÉVORA, PORTUGAL, 2014

O texto a seguir foi produzido por mim, Leandro Cardoso, mais conhecido como Léo Aranha, em 05 de janeiro de 2015 e atualizado em 03 de fevereiro do mesmo ano e está sendo reproduzido em www.viajandonoblog.com  (bem como as imagens exibidas) com o meu conhecimento e autorização na seção Dicas do Leitor Viajante, onde poderá ser disponibilizado pelo período de 60 meses a contar de 04/02/2015.

Igreja de Santo Antão
Igreja de Santo Antão

 

A chegada

Cheguei em Lisboa com destino a Évora. Ao sair do terminal de desembarque há um guichê preparado para receber turistas com informações sobre meios de transporte. No caso da capital do Alentejo, peguei um ônibus ( ou melhor, autocarro ) e fui em direção à estação de Sete Rios onde podemos optar por trem ( comboio ) ou o já citado autocarro. O preço do comboio é um pouco mais elevado mas o autocarro, confortável e com internet rápida, custa €12,50. Se você for estudante, apresente sua carteira e poupe €2,50 na viagem. Pode não fazer diferença inicialmente, mas, lembre-se: Estamos falando de uma passagem que custa quase 40 reais.

Sem demora para sair, o autocarro segue por uma rodovia confortável e chega à Évora, 120 km de Lisboa, em uma hora e quarenta e cinco minutos. Ao desembarcar na rodoviária da cidade há taxis aguardando assim como linhas de autocarro para todas as principais áreas. Se você não se incomoda em andar cinco km por dia, tenha a certeza de que um dia e meio será suficiente para conhecer Évora. Em outras palavras: Você só utilizará um taxi se não quiser andar mais que 500 metros. Tudo em Évora é perto.

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Hospedagem e segurança

Há boas pousadas, albergues e hostels dentro dos muros da cidade. Os preços variam entre €25 ( pernoite ) no simples e simpático Hotel Santantão ao luxuoso Mar de Ar com diárias muito além deste mochileiro. Se você está neste meio-termo, sempre pode desfrutar do conforto da rede de hotéis Ibis. Fora da muralha não é aconselhável. Mas se engana você, leitor, se pensa que o problema é perigo: em Évora o perigo beira o zero e, mesmo assim, a quantidade de viaturas e policiais nos principais pontos da cidade é suficiente para lhe transmitir a sensação de segurança. Bancos não possuem sequer porta giratória com detectores de metal e o clima de cidade de interior logo lhe fará diminuir o ritmo pois, em Évora, o tempo parou.

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A arquitetura

Patrimônio mundial, a cidade de Évora condensa períodos extremamente distantes em sua arquitetura. Cartão postal da cidade, o Templo de Diana é a principal herança do tempo em que os romanos ocupavam a região do Alentejo ( séc I ). Possuindo metade de suas colunas ainda em pé, seu estado é tão conservado que os detalhes de decoração esculpidos na pedra parecem não ter sofrido ação do tempo.

Templo de Diana
Templo de Diana
Templo de Diana
Templo de Diana
Templo de Diana
Templo de Diana

Em frente ao templo de Diana há o jardim de mesmo nome. Uma pequena praça com vista para o lado de fora da muralha nos faz contemplar os telhados envelhecidos ao por-de-sol. Vale à pena esperar pelo por-do-sol se você estiver usando um bom casaco corta-vento.

Praça de Diana
Praça de Diana / Jardim de Diana

Do lado oposto do Templo de Diana temos a Biblioteca Pública e o Museu de Évora. Por €5 você pode visualizar obras dos artistas alentejanos além de antiguidades de vários períodos que a cidade passou. Um pouco mais abaixo do museu, as termas romanas, abertas ao público, são a outra atração do tempo dos romanos.

pé do templo de diana com a biblioteca em segundo plano e a torre da Sé de evora  Rua do Raimundo

As muralhas que protegem a cidade-patrimônio possuem diferentes características pois foram erguidas, destruídas em partes, novamente reerguidas e restauradas por romanos, portugueses, mouros e tantos outros povos e culturas que passaram por esta região. Reserve seu tempo para dar um passeio em volta da cidade. Sim.. em volta! Em uma hora e meia, sem forçar o ritmo, você circula a cidade até chegar ao ponto onde começou: 5 km apenas.

Com suas ladeiras de paralelepípedos e casas que datam do séc. XVII, não é incomum ouvir brasileiros comparando Évora com Ouro Preto. A influência islâmica está presente em algumas edificações com fachadas refinadas e delicadas.

Por falar em Ouro Preto, o que não falta é igreja. Destaque para a principal igreja ( Sé ) com fachada escurecida pela ação do tempo e ninhos de corvos que fazem sua imaginação fluir. Entre e visite o terraço desta igreja e aproveite a vista panorâmica. Se tiver sorte, conseguirá avistar, na linha do horizonte, a Espanha. Exageros à parte com esta brincadeira sobre o país vizinho, distante apenas por 60km, a visão se torna espetacular pela falta de montanhas no Alentejo.

Sé de Évora
Sé de Évora

Na Capela dos Ossos, como o sugestivo nome já indica, temos uma sala inteira feita apenas de ossos humanos. É uma das principais atrações da cidade. Atualmente passa por reformas mas se mantém aberta para o público em geral.

A principal praça da cidade é a Praça do Giraldo, em alusão ao semi-lendário guerreiro que expulsou os muçulmanos da península ibérica e exibiu a cabeça do rei e da filha como prova de bravura. Este pequeno ato está estampado por todos os brasões da cidade, inclusive com as cabeças muçulmanas cortadas. Em pleno Séc. XXI, fica o questionamento da necessidade de se expor a barbárie de tempos remotos. A praça do Giraldo possui bares e restaurantes, farmácias, docerias ( preparem-se para regressar com alguns kg extras ) e um ambiente familiar com crianças brincando livre. A carrocinha de castanhas portuguesas cozidas está sempre estacionada e por €2 você pode comparar com nossa castanha-do-Pará e dizer o que acha. Não darei meu veredito aqui.

Praça do Giraldo
Praça do Giraldo

A praça do Sertório é uma das inúmeras praças da cidade que possuem internet gratuita assim como a já citada praça do Giraldo. Experimente fazer uma selfie sob a sombra dos belíssimos ginkgos e envia-las imediatamente. É facil! Aproveite para sentar em um dos inúmeros cafés da região e pedir um pastel de nata. Alerta de spoiler: É gelado… e não quente.

Para citar todo o patrimônio arquitetônico de Évora, esta matéria seria interminável pois ainda falaria do fabuloso teatro Garcia Resende, do aqueduto romano em perfeito estado de conservação ou do edifício da Universidade de Évora, fundada quando o Brasil era apenas uma terra descoberta algumas décadas antes.

 

Fora dos muros históricos

Sim, agora você irá precisar de um taxi ou carro. Não há autocarros para as regiões de Alto de São Bento e Nossa Senhora de Guadalupe. São regiões um pouco afastadas ( 5km e 13km respectivamente ) mas que são roteiros obrigatórios.

A primeira característica relevante no Alto de São Bento é sua vista da cidade. Com visão panorâmica ao lado de moinhos centenários e com o verde das oliveiras a perder no horizonte, o por-do-sol se torna um programa digno de fim de dia. Se ainda estiver no Alto de São Bento ao escurecer, observe um mar de escuridão com pequenos intervalos de luzes: São as cidades vizinhas. É um espetáculo belíssimo. Além da vista, saibas que ao pisar no Alto de São Bento, estará passeando pela moradia dos primeiros moradores do neolítico, ou seja, gente que começou a habitar a região seis mil anos atrás e deixou de colher e caçar apenas e iniciou a agricultura. Esse morro possui uma história riquíssima.

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Ao chegar em N.S de Guadalupe, encontramos os Cromeleques dos Almendres, o maior conjunto de meníres da Península Ibérica datado do milênio V a.C.

Cromeleques
Cromeleques
Cromeleques
Cromeleques

Évora concentra uma quantidade enorme de restaurantes e come-se muitíssimo bem por €5 os famosos pratos regionais. Você ainda pode fazer um tour pela vinícula Eugênio Almeida para uma pequena degustação de vinhos ou, se o seu negócio não for vinho e sentir saudade do Brasil, ir a um dos dois restaurantes que ostentam a bandeira verde e amarela.

Enfim… Évora nunca termina!

Arquitetura, história, cultura, gastronomia: Neste lugar fundado pelos romanos, a cidade que se tornou a capital do Alentejo ( = Além do Rio Tejo ) o convida a voltar outras vezes pois as portas de suas muralhas milenares estão sempre abertas.

Ainda há muito o que falar mas, sempre que você vier, ainda haverá muito mais a visitar. Évora, assim como esse Portugal de dimensões minúsculas, pode não caber em seu coração.

Sejam bem vindos e voltem sempre!

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Leo Aranha é ilustrador e mestrando em Design pela Universidade de Évora, ator e produtor em dormência e fotógrafo de horas vagas.